segunda-feira, maio 05, 2008

Eterno crepúsculo


Esses dias revi "Crepúsculo dos Deuses", um de meus filmes preferidos. Mais uma vez, chorei e me impressionei. Abaixo, segue uma resenha que escrevi sobre o filme em 2004, para o meu finado blog Movieola.

"Dizer que “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, é uma obra-prima atemporal não é novidade alguma. O filme, de 1949, soa atual até hoje não só pelas imagens bela e cuidadosamente captadas, como pelos seus diálogos vivazes. Mas existe na obra uma beleza escondida, detalhes de making of que lhe dão um toque ainda mais humano. Comecemos primeiro falando do óbvio para depois chegar ao curioso.

“Crepúsculo” impressiona logo na primeira cena, a dos créditos mesmo: a câmera, em movimento, acompanha os carros que seguem para o Sunset Boulevard número 10.000. Os créditos vêm e vão no corre-corre dos veículos, compassados perfeitamente com a música incidental. Quando a câmera entra naquela casa misteriosa, encontramos Joe Gillis (William Holden) morto boiando na piscina. Primeiro, o vemos de cima, junto com policiais e repórteres que se aglomeram. Depois, o toque de gênio: avistamos o corpo de frente, como se estivéssemos mergulhados encarando o defunto, que bóia de boca e olhos abertos. Tal cena hoje em dia pareceria, no máximo, interessante, pois imagens subaquáticas são bastante comuns. Mas no fim dos anos 40 não existia tecnologia suficiente para se filmar dentro d’água, e o diretor Billy Wilder encontrou uma solução perfeita: colocou um espelho no fundo da piscina e captou a imagem refletida por ele. O resultado foi um take perfeito e ousadíssimo para a época.

Outra característica que atesta a atemporalidade do filme são os diálogos. Parece que o protagonista Gillis conversa com sua quase-amante Betty Schaefer (Nancy Olson) em pleno século XXI. O drama vivido por eles é mais que atual: um homem que se vende em troca de dinheiro e de uma vida requintada; uma moça jovem e ambiciosa que sonha com o sucesso profissional e acaba se apaixonando pelo galã marginal. Mais “Julia Roberts”, impossível. Só que numa versão mais inteligente. A única personagem que parece datada, e é assim propositadamente, é a diva do cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson). Ela contrata o roteirista Gillis para escrever seu novo filme e lhe fazer companhia, mas acaba se apaixonando por ele e tenta comprar seu amor com roupas, dinheiro e jantares. Ao contrário da sagacidade dos personagens de Nancy e Holden, Norma parecia ter saído direto das telas de cinema mudo, pelo seu modo de falar, gesticular e olhar exagerados. Ela já era datada nos idos dos anos 40, uma peça de museu. Ou como dizia Gillis, fazia parte do grupo de bonecos de cera.

É aí que chegamos à parte mais humana do filme. A atuação de Gloria Swanson foi tão real talvez porque ela estivesse representando a si mesma. Assim como Norma, Gloria também era uma diva do cinema mudo esquecida com o surgimento do cinema falado. E seu mordomo no filme, Max, interpretado por Eric Von Stroheim, era um diretor das antigas que havia descoberto Norma no início da carreira. Tal qual aconteceu com Gloria Swanson quando nova. Billy Wilder também teve a delicadeza de colocar na película a atuação pequena, porém marcante do também diretor Cecil B. de Mille, que fez o papel dele mesmo. E as cenas em que Norma foi à Paramount achando que iria estrelar um filme novamente foram feitas no próprio estúdio, no set de filmagens de Sansão e Dalila. Quando a estrela ofuscada recebia mais uma vez o jato dos refletores e todos aqueles funcionários – os mais jovens e os mais velhos, que a conheciam – começaram a aplaudi-la, aquilo não era ficção. As palmas eram reais, e provavelmente a lágrima que marejou os olhos de Norma era na verdade da própria Gloria.

São apenas algumas dentre outras várias curiosidades desta obra, vencedora de três Oscar (roteiro, trilha sonora e direção de arte)."

Filmes bons nunca envelhecem, era o título do antigo texto.

6 comentários:

bruna paixão disse...

Puts, Barbara... Adorei saber de todas essas curiosidades dos bastidores de Crepúsculo! Realmente, é um filme incrível... Deu até vontade de assistir de novo :)
beijos!

B. disse...

valeu, bruna! e se eu fosse vc, assistia sim... sempre emociona.

gostei de vc por aqui. beijo!

Anônimo disse...

Nao sabia dessas coisas, e impressionante, mais porque os brasileiros mudam os nomes ? Sunset Boulevard ! mais para dizer a verdade, minha pelicula antigua preferida e Casablanca !

Anônimo disse...

voce adivinho pela ortographa, o commentario e do Flo, Beijos, nao se esqueca de mim, gosto muito do blog de voce

B. disse...

pois é, aqui no brasil o povo tem mania de mudar o nome dos filmes... é cada coisa que se inventa! alguns não têm nada a ver. outros são imitações cafonas de filmes anteriores. um horror!

flo, pode deixar, sua cunhada não vai esquecer de vc. :-)

beijos

FreakShowBusiness.com disse...

Mudam-se os nomes dos filmes em diversos países, não?

Crepúsculo dos Deuses é tb um dos meus favoritos. Fico anos sem ver para não gastar. rs

Babe, meu blog mudou de nome e endereço. Te espero agora em FreakShowBusiness.com

Kissa!
Alex