terça-feira, abril 01, 2008

Gente normal

P., 35, divorciada, nunca fez loucuras na vida. Aceitou o convite de uma amiga e foi a uma despedida de solteira num clube de strip-tease masculino. Nunca viu tantos músculos em trajes mínimos se movimentando em sua frente. Um deles a puxou para o palco, jogou-a para cima como se ela fosse uma pluma. A mulherada gritava, enlouquecida. Depois do susto, P. começou a se divertir com o lugar, tão pecaminoso como seus sonhos adolescentes mais distantes. Quando acabou o show, um dos strippers chegou perto dela e puxou assunto. Papo vai, papo vem, ele a chamou para conversar no terraço. Foram. Atracaram-se atrás de uma pilastra, para ele não ser flagrado pelo gerente “voando” em serviço. Chegou a hora da conversa.
- Qual o seu nome?
- P.
- P.?!
- Sim.
- Patrícia? Priscila? Pâmela?
- Só P. e ponto.
Voltaram aos beijos. P. nunca fora abraçada por um homem tão forte. Mas, apesar do tamanho, ele era do tipo sensível. Queria conversar.
- Então, Pâmela, a gente podia sair um dia desses...
- P.! Pra você meu nome é P.! Pâmela, não, né? Nome de puta.
- ....
- Ah, desculpe, não quis ofender a classe.
- Eu não sou puto. Sou dançarino.
- Mas não faz programa?
- Não. Olha, sou uma pessoa normal. De dia sou personal trainer, sabia?
- Ahn...
- Gosto de passear, andar no shopping... Vamos marcar de sair?
- Melhor, não.
- Você tá com medo? A gente faz um passeio de gente normal. Toma sorvete...
“Gente normal”. Ela riu e ficou com pena do rapaz.
- Não é nada com você. Mas é melhor assim, uma noite e nada mais.
- Então anota meu telefone... Quem sabe você muda de idéia?
Com ainda mais pena do rapaz, ela anotou. Ele disse que se chamava Ivan, mas na boate o apelido era Pedro. P. salvou o número no celular como Pedro Ivan. De repente, a amiga veio chamá-la.
- Vamos embora?
P. foi se despedir de Pedro Ivan. Mas o coitado estava a pé. Pediu carona até o ponto do ônibus. Então foram os quatro no carro: P., a amiga, a mãe da amiga e o stripper. Deixaram-no no ponto. Ele pegou um ônibus para o Méier. Por alguns minutos, P. se sentiu mal por não ter permitido ao rapaz um encontro “normal”. Ele só queria tomar sorvete!, pensou. Depois, esqueceu. E nunca ligou pra ele.

6 comentários:

Anônimo disse...

Adorei o post, amiga. O pior não é o stripper querer ser fofo, mas pedir carona até o ponto. Só faltou dar o golpe da passagem.

Alicia

Anônimo disse...

Eu sou uma pessoa normal, como ele.

:D

Leco

Anônimo disse...

Porque ela no quis tomar um sorvete?
Accreditava que um stripper nao tem nada para dizer? Tambem ele quer fazer uma amiga num club, isso nao e nada facil !
Beijos Barbara
Florian

Rodrigo Reis disse...

o diálogo é ótimo.
saudades, babe.

Tamba disse...

Fim da linha: depois de ser escorraçado, carona pro ponto de onibus?!? Nem fodendo! (sacou? sacou?)

Mariana disse...

Conheço essa história!!! Muitoi bom...
Bjs com saudades,
Mari