quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Pushing Daisies

Foi arrancada com tanta força da terra que sentiu frio nas raízes. A última coisa que se lembra é de seu desejo de cravar-se no solo, mas não de maneira definitiva. Queria ser um animal que não se apega, queria conhecer os campos que iam além de sua vista turva. Nos dias mais tristes, sentia água escorrendo-lhe das folhas, o caule doía lá dentro, e as raízes... Malditas, sempre presas, fincadas à terra molhada, impedindo-a de ir longe. Quando foi arrancada, sentiu o cheiro do frio, acreditou que seria levada para outros campos, mas quando deu-se por si estava em um pequeno vaso, e suas raízes compridas tocavam o plástico, e só via água se uma senhorinha grisalha a regasse. Reclamou tanto de estar presa ao solo, sem saber que pior do que isso era depender de um ser humano para viver.

2 comentários:

Mariana Valle disse...

Linda prosa poética, baby!

E "menos pior" ser presa ao plástico e à atenção humana do que queimada pelas mãos capitalistas...

Bjs,
Mari

Cassandra Mello disse...

que coisa linda¡

essa primeira frase é formidável.