terça-feira, agosto 04, 2009

Chaplins alucinados

Deita-se conformado. Mais uma noite de zumbido o espera, aquele vindo de dentro, ouvido sempre que se sente fora do eixo. Pensa que o barulho vem das traquitanas de seu cérebro, mexendo-se desconexas, como se chaplins escorregassem alucinados por suas engenhocas. Para lubrificar as porcas e parafusos, talvez leite quente dê cabo. Talvez cantar espante o zumzumzum. Pensa em Elvis, “Sweet Caroline”. Depois sussurra “Suspicious Minds”. Mas o Grande Ditador não deixa o Rei tomar conta, e intensifica os zumbidos. Pensa em apelar para comprimidos. Mas é tão medroso que prefere ficar na companhia de seus chaplins esquizofrênicos, desejando que eles sejam tão geniais quanto o bigodudo de bengala. Mas consciente de que são apenas reles peças dos Tempos Modernos.

3 comentários:

Wellington Souza disse...

Nossa, essa personagem daria um ótimo escritor!!
A inquietação característica já tem! rsrsrs
Ótimo conto.

Bjão!

Marcelo Ez disse...

Leite quente para lubrificar parafusos. É uma boa imagem... Gostei.
A proposito, é um prazer conhece-la.

Moça do Fio disse...

Todos somos peças deste Admirável Mundo Novo dos Tempos Modernos.

E o Chaplin... meu Deus! Como ele conseguiu ser tão exato em tudo que fez?


Beijos.