quinta-feira, março 22, 2012

"Cause heaven's hard, black and grey..."

Não conseguia chorar. Não porque não sofresse ou não sentisse dor. Mas as lágrimas não brotavam, era algo fisiológico, talvez. Seu namorado não se conformava. No começo ele achava graça daquela menina que nunca derramava uma lágrima, mas depois virou uma obsessão. Queria que ela chorasse de qualquer maneira. “Não chora porque é seca, seca de amor”, dizia ele. Primeiro tentou surpreendê-la com cartas de amor desarvoradas, aquela coisa de “dou minha vida por ti” e outras bregarias. Ela se emocionou – pelo menos disse que sim -, abraçou-o, beijou-o, mas não chorou. O namorado mudou a tática e decidiu mostrar toda sua agressividade macha: brigava com ela à toa, ignorava-a, maltratava-a. Nem uma gota rolou daqueles olhos ingratos. No desespero começou a fazer-se de deprimido, disse que ia se matar. Chegou a pensar em fingir-se de morto para ver o que acontecia. E se morresse de fato, será que ela choraria? Arrasado, foi para casa decidido a não mais vê-la. A moça, vendo o que sua anomalia estava causando no pobre rapaz, resolveu tomar uma atitude drástica. Foi para a cozinha, muniu-se de um quilo de cebolas e pôs-se a cortar. Picadinhas, bem pequeninhas, as cebolas liberaram as toxinas que ela precisava. Dos seus olhos brotaram jatos d’água, como se o choro de toda uma vida se desprendesse de seu corpo. Correu para o computador. Ligou a câmera, colocou a música preferida do casal, e fez um vídeo, debulhando-se loucamente. O namorado, ao vê-la naquele estado, ficou tão feliz que correu para encontrá-la. Mas não suportou 15 dias de chororô ininterrupto e deu no pé na primeira oportunidade. Até hoje ela não conseguiu parar.

Um comentário:

Maddie disse...

nice video, thanks for sharing.

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